Maria Múrias Corrêa_Bio
Maria Corrêa (1999, Lisboa) trabalha sobre a instabilidade da memória - aquilo que escapa, reaparece ou se desdobra em formas inesperadas. A sua prática procura o que permanece nos intervalos: vestígios, documentos imperfeitos, ecos de histórias incompletas. Aproxima-se da imagem, do teatro, do cinema e da escrita como quem recolhe pistas de uma narrativa maior, reconstituindo-a a partir de fragmentos, silenciosamente, onde a ausência serve de matéria para outra forma de ver.
Formada em Psicologia Clínica, área onde também exerce actividade profissional, integra no seu trabalho artístico uma atenção particular aos processos de recordar, esquecer e reconstruir experiências, um cruzamento que orienta simultaneamente a sua observação e os seus processos de criação.
Colaborou durante vários anos com a Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, como assistente de encenação e técnica de luz e som, experiência que moldou o seu interesse por processos cénicos. Colabora com a companhia Teatro Meia Volta e Depois à Esquerda Quando Eu Dizer, no ciclo Anti-Princesas e no espetáculo Joyeux Anniversaire, aprofundando uma relação contínua com práticas performativas dirigidas a públicos diversos.
No cinema e no audiovisual, foi diretora de produção do filme Submissão (NOS Audiovisuais), de Leonardo António, e integrou a equipa de imagem da série Frágil (RTP Play), colaborando em processos de construção visual e narrativa que ampliaram o seu interesse por arquivos pessoais, registos íntimos e modos de documentar o quotidiano.
Em 2025 realizou uma residência artística no Largo das Artes – Espaço Vazio, onde desenvolveu uma investigação centrada nos mecanismos de lembrar e guardar: como objetos, gestos ou anotações dispersas podem funcionar como elementos de uma memória sempre em risco de se perder. A residência culminou na exposição guardar é uma outra forma de perder mas com cuidado, apresentada durante quatro meses.
Entre criação e prática comunitária, co-coordenou o Grupo de Teatro Terapêutico para Crianças e Jovens da Unidade W+ da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, com apresentação no Festival Mental, no Cinema São Jorge. Este trabalho integrou processos de escrita, improvisação e composição cénica desenvolvidos em colaboração com jovens acompanhados em contexto clínico.
O seu percurso desenvolve-se assim na procura contínua de uma narrativa feita de fragmentos - um trabalho de observação, recolha e reconstrução do que insiste em permanecer, mesmo quando quase desaparece.
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Telemóvel
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